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Restauro de uma guitarra acústica

Com um sorriso nos lábios o nosso cliente nos disse: Esta viola foi caríssima, bem me dizia o meu pai… Nós éramos pequenos quando demos cabo dela…Ainda a colei com epoxy, mas está tão feia assim.

Bem, na verdade a viola estaria bem pior se estivesse desmontada ou partida.

O serviço não parecia ser difícil, mas tem sempre os seus contratempos. Fiz o orçamento e agarrei-me ao trabalho. Teria de substituir os carrilhões, que estavam todos retorcidos. O tampo tinha uns remendos horríveis com cola epóxica. O verniz tinha desaparecido e havia uma zona do tampo bastante danificada. Na escala teríamos de fazer uns arranjos simples. Há uns anos atrás lhe espetaram uns parafusos e agora cabia-me a mim reparar os estragos. Para além disso tinha uns quantos trastes soltos.

  • Dediquei-me a limpeza geral do instrumento e ao verniz (ou o que sobrava dele) Decidi passar uma lixa fina para eliminar sujidade e acabamentos sem vida.
  • Com uma lixa grossa desbastei a cola dos remendos, eliminando-a quase toda. Não a removi por completo porque estava a fazer um excelente preenchimento. O tampo já estava a ceder com a idade e a tensão das cordas. Esta cola pelo menos evitaria que o colapso fosse mais rápido.
  • Colei o binding que se estava a soltar. E de seguida decidi dar duas demãos de óleo de coronha. Com isto, consegui dar mais cor a madeira e realçar o grão.
  • Dei duas demãos de cera de abelha, um dos meus acabamentos preferidos. No final, apliquei mais uma demão de óleo.
  • Corrigi os trastes danificados e dei uma polidela aos trastes. Reparei com algum sacrifício os parafusos e preenchi as cavidades com massa de madeira.
  • Apliquei os carrilhões e constatei que havia um problema sério. Esta guitarra teve mais de dois modelos de carrilhão. Os buracos estavam demasiado largos e com a tensão das cordas, o carrilhão estava sob uma pressão enorme. Tive então de preencher as cavidades com madeira, abrir novos furos e dar-lhe alguma cor.
  • Limpámos a pestana e a sela com lixa. Ambas estavam totalmente negras. Aplicámos as cordas e desfrutamos o som de uma guitarra com mais de 50 anos. Agora espero vê-la daqui a 50 anos para voltar a restaurá-la.

8 thoughts on “Restauro de uma guitarra acústica

  1. Manuel Luis diz:

    Tenho uma viola Alhambra.S.A.fabricada em Alicante, , Espanha em Muro de Alcoy.a qual ja a tenho à mais de 35 anos.Tenho um problema, deixou de afinar, isto é afina com as cordas soltas mas ao fazer acordes não está afinada. Gostaria que me de saber a sua opinião. Qual será o problema ?
    Tenho muita estimação por ela.
    Obrigado

    1. Boas.
      Sendo uma guitarra acústica pode ter várias respostas ao seu problemas.

      1º Pestana e acção muito alta, isto por mau cálculo da parte dos constructores, ou pelo peso dos próprios anos. Veja-me se o braço ou o tampo da guitarra tem cedido, ou seja, estão empenados…

      2º Um mau calculo por parte do constructor na hora de colocar a sela.

      Se de facto a guitarra começou a empenar o tampo será um problema dificil de ressolver. Mas se a desafinação não for muita é possível tentar compensá-la com um ajuste na sela. Contudo, um calculo do que deve ser feito só pode ser feito com a guitarra na mão.

  2. Carlos Fernandes diz:

    Pretendo saber se é fabricante de guitarras e baixo porque sendo nós uma casa comercial de venda ao publico de instrumentos musicais estaria interessado em conhecer o produto e respectivo preço cumprimentos Carlos Fernandes

    1. Viva
      Obrigado pelo seu contacto.
      Dedicamo-nos a reparação de instrumentos musicais. Não de fabrico dos mesmos…

  3. laurindo diz:

    tenho uma alhambra 7p e o braço está a empenar. há algo que se possa fazer?

    1. Na minha humildade acho que existem 2 hipóteses para ressolver este problema:

      1º Aquecendo o braço e humidificando-o, para o forçar. Contudo, não é uma opção duradoura.

      2º Aplicando um reforço no interior do braço, mas isto obriganos a fazer uma operação bastante demorada, e que pode ser custosa.

      No obstante, agradeço a opinião de outros profissionais no asunto.

  4. Paulo Couto diz:

    Boa tarde,
    tenho uma viola acústica “Miguel Angel” e o cavalete soltou-se. Pode-me indicar qual o melhor tipo de cola ?

    1. admin diz:

      Boas.
      Cola Titebond é a melhor. MAs requer de uns bons grampos para fazer o serviço….

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