Entrevista a Gilly Ribeiro
Continuando com o nosso ciclo de entrevistas decidimos oportuno dedicar esta semana ao carismático guitarrista bracarense Gilly Ribeiro. Conhecido dentro do mundo do Hard/Heavy por ser guitarrista de sessão. E num enquadramento mais geral nos seus workshops.
Fiquemos a conhecê-lo bem melhor…
Fala-nos um pouco sobre ti, Como começaste no mundo das guitarras? Quais são os teus maiores logros?
Bem, acho que comecei como qualquer outro guitarrista, não? Na altura era “fixe” tocar viola… as miúdas gostavam… só que depois acontecia sempre que as miúdas giras se enrolavam com os outros rapazes e o guitarrista solitário ficava a servir de “banda sonora”. Mas o vício, esse, ficou para sempre!
Comecei a tocar em 1994. A partir daí integrei diversos grupos de cariz mais “ligeiro”: desde animação de igreja até grupos folclóricos e de música popular.
Em 2000 fui convidado para formar uma banda de Heavy Metal: os The Crew (www.thecrewband.net). É nesta banda que tenho total liberdade artística e que tenho também o prazer de tocar com outro guitarrista que, na minha opinião, não só me completa musicalmente como também tem algo genial: o André Gonçalves.
Fui também convidado para tocar com Demon Dagger na digressão de suporte ao álbum “Cain Complex” (2008-2010). Na minha carreira orgulho-me de ter tocado e partilhado o palco com várias outras bandas, algumas das quais sou profundo admirador, nomeadamente, The Ransack e Heavenwood. Acho que não há palavras que possam definir essa felicidade.
A pergunta de praxe….Quem são os teus herois das 6 cordas?
Desde criança que nutro uma profunda admiração pelo Brian May, guitarrista dos Queen. Definitivamente, essa foi a minha maior influência para começar a tocar guitarra. Outras referências (sem ordem de preferência) são: Joe Satriani, Steve Vai, John Petrucci, Gonçalo Pereira (abraço!), Paul Gilbert, Andy Timmons, José Carlos Matos (abraço!), Alex Lifeson, Marty Friedman, Nuno Bettencourt, David Gilmour, Jason Becker, Vítor Carvalho (cigano! 😀 ), Jimi Hendrix, Eric Clapton, B.B. King… já chega. 🙂
Podes falar-nos um pouco sobre o teu gear?
De momento estou a utilizar como equipamento principal um Carvin Quad-X Amp e um Peavey Classic 50/50 a alimentar duas colunas LMOE Custom. O primeiro é um pré-amplificador baseado em válvulas 12AX7 e o segundo é um amplificador de potência de 2x50W a EL84s; são ambos de rack. As colunas são 4×12” e estão equipadas com altifalantes Celestion Vintage 30. Como efeitos tenho alguns pedais e algumas unidades de rack. Para sons acústicos (guitarra com captadores piezo-eléctricos) utilizo um pré-amplificador Yamaha AG-stomp.
Tenho também mais algum equipamento que uso em estúdio e/ou workshops, nomeadamente, um Rocktron Chameleon, um Yamaha DG-stomp. Tenho tudo escrito em detalhe no meu website, em www.gillyribeiro.net.
E as tuas guitarras…quais são? Qual delas é a tua preferida?
De momento acho que são 15… mas vou enumerar apenas as minhas favoritas:
- ESP M-207 Gilly Ribeiro Custom Shop (7 cordas)
- Ibanez J.Custom RG-Paint4
- Ibanez RG-470 JB
- Yamaha Pacifica 521 BL
- Yamaha RGX-820Z TDR (com piezo)
Tens algum patrocínio? Como o conseguiste?
De momento tenho patrocínio dos seguintes fabricantes:
- Fratermusic custom shop
- LMOE Custom cabinets
- Tormenta Cables
E com cumprimentos especiais ao José Pereira (Fratermusic) e ao Pedro Ferreira (Tormenta Cables).
São empresas extremamente focadas na qualidade dos seus produtos bem como exímias no apoio que me têm dado ao longo dos anos.
Se tivesses de escolher única e exclusivamente 3 pedais do teu arsenal quais seriam e porque? (por favor, não te esqueças de dizer a marca!)
Vou aldrabar um pouco… porque a única peça de equipamento que NUNCA deixei de usar desde que o comprei foi o Rocktron Intellifex (processador multi-efeitos de rack). Tem um som absolutamente cristalino e puro, uma qualidade e fiabilidade a toda a prova e é muito versátil e granular em tudo o que se pode fazer com ele.
A este processador juntaria o MXR Super Comp (pedal compressor) e o Boss PH-3 (pedal phaser), pois ambos são de elevada qualidade.
Que tipo cordas utilizas? E as palhetas? Usas diferentes afinações?
Uso exclusivamente cordas Elixir. São cordas duráveis e com um timbre que me agrada muito. Por norma, utilizo as “Super Light .009 – .042” em guitarras com afinação normal ou meio tom abaixo, em escalas de 25.5”. Para guitarras afinadas um tom abaixo ou com escalas curtas (25” e 24.75”), utilizo as “Light .010 – .056”. Na ESP (7 cordas) utilizo as “Light .010 – .046 + .056”.
Palhetas são exclusivamente as Jim Dunlop Tortex Standard 1.0mm (as azuis).
Qual é a acção que usas nas tuas guitarras? És muito exigente em relação ao ajuste dos teus instrumentos?
Sou, literalmente, um chato no que diz respeito à afinação das minhas guitarras. Ao ponto de apenas confiar em mim próprio para o fazer (obsessão, sim, admito).
Gosto de acções baixas. Tão baixas quanto a guitarra o permitir. Em guitarras tipo “super-strat”, com escalas quase planas, chego a ter acções de 1,8mm – 1,3mm (respectivamente, na 6ª e na 1ª corda). Em guitarras mais “vintage”, costumo utilizar 2,0mm – 1,5mm.
Que conselhos podes dar aos guitarristas portugueses para que possam evoluir musicalmente? (técnica e metodicamente)
Praticar. Todos os dias. Aprender algo novo todos os dias, sem tirar folgas, quer seja a escala mais complicada, quer seja a mais simples música da Britney Spears. Ao fim do ano são 365 coisas novas que saberão. Ao fim de 10 anos, serão 3.650 coisas novas!
Tentem aprender com todos os géneros de música: tanto o Brutal Death Metal como o Folclore têm muitos ensinamentos para nos dar! Nunca caiam na tentação de dizer “esta música é demasiado simples, não presta”, porque less is more!!! Reparem que as músicas mais espectaculares são sempre as mais simples…
NUNCA, mas NUNCA, afinem à pressa! Quanto mais tempo se perder a afinar uma guitarra na perfeição, mais tempo ela se manterá afinada e melhor tocará. Nunca vos aconteceu “eh, hoje a minha guitarra está com um som”? Podem ter isso todos os dias se perderem mais alguns minutos com a vossa guitarra e com um bom afinador. Tem de estar perfeito, não é?
Usem metrónomo. Se quiserem. Eu nunca usei. 😀
Que achas do mercado musical Português? Consideras que existe espaço para os “Guitarristas”?
Portugal é um nicho de mercado muito ingrato. Só singra quem faz o que o povo quer ouvir ou quem é estrangeiro. Perfeitos exemplos disso são os geniais Nuno Bettencourt e Gonçalo Pereira. Enquanto o primeiro é conhecido internacionalmente como grande guitarrista e pela sua banda Extreme, o segundo só teve hipótese como guitarrista freelancer no mercado nacional.
Não existe nem vai existir um espaço para “guitarristas”. Somos um mercado pequeno e muito fechado.



”Não existe nem vai existir um espaço para “guitarristas” ”
Muito bom